JUNÇÕES CELULARES

Editor Pedro Guimarães Santana

Introdução:

As junções celulares são estruturas especializadas da membrana plasmática que interconectam células dentro de um tecido, ou órgão, com outras células e com a matriz extracelular, estas são respectivamente junções intercelulares e junções célula matriz. Estruturalmente, as junções intercelulares são classificadas em quatro diferentes componentes : Junção de oclusão( Zônula occludens ou tight junction), cujo papel está relacionado à formação de compartimentos com as membranas epiteliais que revestem as diferentes regiões do corpo; junção aderente( zônula adherens, são locais de forte adesão, tanto entre células contíguas quanto entre estas células e seu substrato; desmossomos( maculae adherens), é também um tipo de junção de adesão;  junção comunicante( nexus ou gap junction), estas junções facilitam  a comunicação intercelular direta. Quanto às junções célula-matriz, estas podem ser divididas em dois tipos: junção de adesão focal e hemidesmossomo. Todas essas junções celulares não são necessariamente em todos os tipos celulares do organismo. 1,2

Referência Bibliográfica:

1  CARVALHO, Hernandes F.; RECCO-PIMENTEL, Shirlei M. A Célula. 2 ed. São Paulo: Manole Ltda, 2007.,

2  CORMACK, David H. Fundamentos de histologia. 2 ed. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2003.

JUNÇÕES CELUARES: JUNÇÃO DE OCLUSÃO – Geyse Alanna – Turma FA1

Morfologia:

A junção de oclusão é constituída de múltiplos filamentos de vedação que se anastomosam, pode se adaptar a várias alterações do formato celular por estiramento em alguma dimensão. O número de filamentos de vedação em uma junção oclusiva varia com a localização, mas não é um indicador consistente da eficiência da vedação.¹

A junção de oclusão forma um cinturão ao redor da célula epitelial, denominado fasciae occludens.² A junção oclusiva adere firmemente às membranas plasmáticas das células epiteliais contíguas por meio de uma franja de conexão não muito larga, situada mediatamente abaixo da superfície livre do epitélio.³

Ao nível da junção oclusiva, as membranas plasmáticas das células situadas defronte uma da outra contêm, entre outras, dois tipos de proteínas integrais chamadas ocludinas e claudinas. Essas proteínas formam três ou mais fileiras paralelas á superfície do epitélio. Em cada fileira, as ocludinas e as claudinas estão unidas entre si como as contas de um colar e cada proteína se adere firmemente à outra similar da membrana oposta. ³

A ocludina tem massa molecular aproximadamente 65 kDa, e possui quatro regiões hidrofóbicas inseridas na membrana plasmática, dois domínios extracelulares e dois denominados intracelulares. As claudinas têm massa molecular aproximadamente de 20 a 27 kDa, apresentando 4 domínios moleculares. As claudinas formam uma família com 20 membros de proteínas integrais identificadas. A ocludina e as claudinas são detectadas por imunocitoquímica ultra-estrutural.²

A região C-terminal da ocludina voltada para o citoplasma interage diretamente com um complexo justaposto á face interna da membrana, o qual é formado por três proteínas citoplasmáticas, a ZO-1, ZO-2 e ZO-3. Esse complexo parece estar envolvido na localização da ocludina na região específica da junção de oclusão. A cingulina é uma proteína integrante desse tipo de junção. É de 140 kDa, apresenta homologia com proteínas associadas aos microfilamentos, como miosina, tropomiosina ou espectrina/fodrina.²

A fáscia de oclusão é semelhante à junção de oclusão zonular (que pode atuar como uma barreira de difusão seletiva para proteínas integrais da membrana­). A diferença entre elas é que a fáscia de oclusão possui um formato de uma tira ou faixa em lugar de estender como um cinto. Este tipo de junção esta presente entre as células endoteliais dos vasos sanguíneos.¹

 

 

Fisiologia:

A junções multifilamentares entre as células epiteliais intestinais impedem que as macromoléculas que estão presentes na luz do intestino consistente da eficiência da vedação. Em células morfologicamente polarizadas, um papel importante da junção de oclusão zonular é delimitar regiões da membrana celular muito diferente entre si.¹

A junção de oclusão limita a difusão de íons e pequenas moléculas através do espaço intercelular, embora seja praticamente impermeável a moléculas com raio maior que 15 A. ²

 Os epitélios podem apresentar diferenças no grau de permeabilidade a íons de junção de oclusão. Essas diferenças no grau de vedação estão diretamente relacionadas com sua ultra-estrutura. O número de cordões de vedação correlaciona-se em vários tipos celulares, com o grau de expressão da ocludina, e a permeabilidade depende da expressão e do tipo da claudina que o compõem.²

Quando se coloca sobre a superfície livre de um epitélio um marcador com a ferritina, suas moléculas não podem atravessar o tecido epitelial pelos espaços intercelular por serem detidos pelas junções oclusivas.³

Além de unir as células e de impedir a passagem de substâncias através dos epitélios, as junções oclusivas determinam que as composições moleculares das regiões apical e basolateral das membranas plasmáticas das células epiteliais sejam diferentes entre si.³

Aplicação:

A junção de oclusão tem grande importância como barreira de difusão no caso de epitélios que revestem cavidades e superfícies livres do organismo. Esse tipo de tecido delimita compartimentos de composição química distinta (ex: epitélio intestinal, renal, da bexiga e etc.) A perda da junção de oclusão significaria a dissipação do gradiente eletroquímica entre os dois lados do epitélio e, consequentemente, o comprometimento da função desses órgãos. Se a função de barreira desempenhada pela junção de oclusão estiver comprometida pode-se desenvolver alguns estados patológicos, se comprometem a barreira epitelial intestinal, promove, em alguns casos, contração do citoesqueleto perijuncional.²

 

Referência Bibliográfica:

¹ CORMACK, David H. Fundamentos de histologia. 2 ed. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2003

² CARVALHO, Hernandes F.; RECCO-PIMENTEL, Shirlei M.  A Célula. 2 ed. São Paulo: Manole Ltda, 2007

³ DE ROBERTIS, EDUARDO M. F., 1947; DE ROBERTIS, bases da biologia celular e molecular/ Eduardo M. F. De Robertis, José Hib; 4. ed. – Rio de Janeiro, 2006 il;

Autora da imagem: Sinthia Stefanny Souza da Silva.

 

JUNÇÕES CELULARES: JUNÇÃO DE ADESÃO – Sínthia Stéfanny – Turma FA1

Morfologia:

A junção aderente forma um cinturão que circunda a região subapical das células epiteliais, ver na figura 1. Aparece especializada a membrana e localiza-se abaixo da zona de oclusão onde ficam separadas por duas membranas adjacentes e que são paralelas onde se localiza um material amorfo que preenche essa região. No lado citoplasmático existe malha de filamentos que é espessa constituída essencialmente de F-actina[a] podendo arranjar-se em paralelo a membrana celular apical e formando o anel actina perijuncional. Pode aparecer como faixas descontinuas ou pontos de adesão intercelular denominados fascia adherens ou punctum adherens representados em alguns tipos de epitélio glandulares e em tecidos não epiteliais respectivamente. A evidência experimental com base na sua aparência ao músculo esquelético (ME) para essa função adesiva foi primeiramente obtida quando se observou um comprometimento do processo de adesão intercelular após a exposição das células a anticorpos que reconheciam glicoproteínas da superfície celular, as quais se concentravam particularmente na junção aderente. As moléculas de adesão celular ou CAM (Cell Adhesion Molecules) se classificam em: as pertencentes a superfamília de imunoglobulinas (Igs) e a superfamília de caderinas que dependem de Ca+². As caderinas são as principais componentes da junção aderente e existem dezenas desubtipos.¹                    

Figura 1- Nesta imagem mostra a junção de adesão entre as duas células as quais apresentam filamentos de actina, caderinas e cateninas em sua estrutura.

 

Fisiologia:

A principal atribuição da junção aderente é promover uma firme adesão entre as células vizinhas que são cruciais para a formação e manutenção da arquitetura tecidual, apresentam frequentemente baixa adesividade com outras células e com a matriz extracelular, combinada com uma alta motilidade celular. A manutenção dos contatos celulares é fisiologicamente significativa, dado o fato que o mecanismo de adesão celular, mediado pelas caderinas/cateninas, consiste em uma etapa importante para o desencadeamento do processo tumoral que por sua vez divide-se em mutação nos genes que codificam caderinas e cateninas, repressão do processo de transcrição dos genes das caderinas e cateninas[b] ou comprometimento da interação molecular entre caderinas e cateninas (esta última em particular parece ser o principal mecanismo pelo qual certos oncovírus -vírus capaz de provocar câncer- induzem transformação celular). A junção aderente desempenha um papel crucial na formação e manutenção da estrutura e da função das outras junções intercelulares, está também envolvida no processo de reconhecimento celular, portanto a adesão intercelular somente ocorre entre células que expressam subtipo idêntico de caderina. Esse reconhecimento celular mediado pelas caderinas, observado in vitro, é conhecido como cell sorting (do inglês, sorting, segregação) e é fundamental no processo da organogênese ( células do embrião formam uma massa celular indiferenciada e relativamente homogênea, que numa certa etapa do desenvolvimento embrionário, grupos diferentes de células entram num processo de diferenciação, começam a expressar caderinas diferentes e se segregam. Cada um desses grupos de células homotípicas passa a ter um destino distinto, promovendo a formação de órgãos diferentes).¹ 

Aplicação:

Adesão de Moléculas => Doença => Câncer

A expressão do maspin nos tumores mamários caninos: um estudo imuno-histoquímico e molecular

RESUMO

O serpin maspin, um supressor tumoral no câncer de mama foi descrito como inibidor de migração celular e indutor de adesão celular entre a membrana basal e a matriz extracelular resultando na inibição da metástase tumoral. Por outro lado, a alta expressão do maspin está relacionada com um mau prognóstico em outros tipos de câncer. Pouco se sabe sobre a expressão, regulação e função do maspin nos tumores mamários caninos. Neste estudo, foi demonstrada uma perda da expressão de maspin nas células mamárias malignas de cães quando comparadas com um pool de tecido mamário normal de cães, analisado por PCR quantitativa em tempo real. Houve uma expressão fraca maspin em preparações de tumores mamários malignos observadas por imuno-histoquímica. Também foi verificado que a expressão nuclear do maspin em tumores mamários caninos está relacionada a um bom prognóstico. Assim, o maspin pode ser utilizado como um marcador prognóstico nas neoplasias mamárias em cães.

Termos de indexação: Maspin, tumor mamário canino, imuno-histoquímica, biologia molecular, prognóstico.³

 

 

 

 

[a] Filamentos de actina também chamados de microfilamentos são polímeros helicoidais de duas cadeias presente no citoplasma das células eucariotas sob a forma de feixes de filamentos paralelos ou redes de filamentos anastomosados, são constituídos pela polimerização da proteína globular actina G, são assimétricos e se associam de maneira regular orientando-se sempre no mesmo sentido e formando um filamento de actina F. A actina é o maior componente dos filamentos finos das células musculares, e está presente em todos os eucariontes.²

[b] As caderinas são proteínas transmembranarias cujos segmentos extracelulares se ligam uns aos outros e os intracelulares se ligam com a cateninas. As cateninas estão ligadas a filamentos de actina, estas proteínas interatuam com proteínas ZO para se ligar com vias da transdução de sinal envolvidas na sua regulação.

¹ CARVALHO, 2007

² BRUCE, 1997

³ SCIELO, 2009

 

Referências Bibliográficas:

CARVALHO, Hernandes F.; RECCO-PIMENTEL, Shirlei M.  A Célula. 2 ed. São Paulo: Manole Ltda, 2007

ALBERTS,bruce. Biologia molecular da célula. 3ed. Artes medicas: Porto alegre,1997

Zuccari, Debora A.P.C.; Castro, Rodrigo; Gavioli, Arieli F.; Mancini, Ulises M.; Tajara, Eloisa H.; Frade, Cibelli S.; Pivaro, Luana R.; Carmona-Raphe, Juliana; Terzian, Ana Carolina B.; Ruiz, Camila M.; Bertollo, Eny M. Goloni; Pavarino-Bertelli, Érika C. A expressão do maspin nos tumores mamários caninos: um estudo imuno-histoquímico e molecular. Revista Scielo.Pesq. Vet. Bras. 29(2): 167-173, ILUS, GRA, TAB. 2009 Feb.

Autora da imagem: Sinthia Stefanny Souza da Silva.

 

JUNÇÕES CELULARES: DESMOSSOMOS - Débora Maia – Turma A1

Morfologia:

Os desmossomos também conhecidos como desmossoma macular ou macula adherens, são denominados assim porque são circulares e semelhantes a uma mancha, não a um cinto ou faixa, ele está presente tanto no complexo juncional como em qualquer ponto sobre superfícies celulares contíguas.[1] São um tipo de junção mecânica formada pelo espessamento das membranas plasmáticas de duas células adjacentes, contendo uma substância densa, provavelmente fortalecedora na junção celular. [1]

Essa junção possui uma estrutura similar à descrita para junção de adesão, embora as proteínas associadas sejam distintas, os desmossomos também contêm moléculas de adesão dependentes de Ca+2, responsáveis pelo contato intercelular, e moléculas citoplasmáticas que interconectam essas moléculas de adesão ao citoesqueleto. As duas moléculas de adesão identificadas no desmossomo são a desmogleína( Dsg) ( de 135 a 165 kDa)  e a desmocolina ( Dsc) ( de 115 a 130 kDa) , cada uma destas proteínas possui três subtipos (Dsg1, Dsg2, Dsg3 e  Dsc1, Dsc2, Dsc3, respectivamente) que se diferenciam pela sua distribuição diferencial em tipos celulares  ou tecidos distintos[1]

Junções do tipo desmossomos não são exclusivas do tecido epitelial. Há junções com a mesma morfologia entre as células do músculo cardíaco; entretanto, os filamentos intermediários ancorados nas placas do desmossoma destas células são constituídos de desmina, não de queratina.[1] Ou seja, os desmossomos são componentes comuns de vários tecidos, epitelial, e não epitelial, e correspondem ao terceiro elemento do Complexo Unitivo de células epiteliais. Foram o primeiro tipo de junções intercelulares a ser descobertos.  Elas aparecem à microscopia eletrônica como estruturas descontínuas, com um formato de botão, que ficam localizadas frequentemente abaixo da região da junção aderente no epitélio. Os desmossomos são visualizados como duas placas lineares e paralelas, de 100 a 500 nm de comprimento, relativamente grossas e elétron-densas, que delimitam um espaço intercelular de aproximadamente 250 Â. [1]

Fisiologia:

O papel dos desmossomos é manter forte adesão intercelular, seus feixes de tonofilamentos transmitem e distribuem tensões de cisalhamento através da célula, e suas glicoprotéinas ligantes transmembrana resistem à tendência das células de se separarem sob tais tensões.[1] 

Em contraste com a junção aderente, não há evidências de que os desmossomos interfiram na formação ou função das outras junções intercelulares. Assim, anticorpos contra desmocolina inibem a formação de desmossomos sem afetar a morfologia celular ou a estrutura das junções de oclusão e aderente em uma linhagem de célula epitelial. Desmossomos são extremamente abundantes em tecidos que estão sujeitos a severo e constante estresse mecânico, como, por exemplo, na epiderme, nesta os desmossomos são encontrados recobrindo toda superfície celular dos queratinócitos, em contraste com uma localização especificamente lateral em outros tipos celulares epiteliais.[1]

 

Aplicação:

A importância dos desmossomos como estrutura de adesão é melhor apreciada pelo seu envolvimento em doenças dermatológicas crônicas, ex: a doença denominada pênfigo. Essa derrmatose, é caracterizada pelo aparecimento de bolhas flácidas na epiderme e, histologicamente, por acantólise( perda de adesão celular dos queratinócitos). Existem dois tipos de pênfigo, o pênfigo vulgar e o pênfigo foliáceo, que se diferem pelo tipo de lesão epidérmica e sua extensão. O pênfigo pode ser fatal se o paciente não for tratado adequadamente, por causa da perda da função de barreira epidermal, levando a perda de grande quantidade de fluidos corporais e a infecção bacteriana secundária.[1]

Referências Bibliográficas:

1 5 7 9 10 CARVALHO, Hernandes F.; RECCO-PIMENTEL, Shirlei M. A Célula. 2 ed. São Paulo: Manole Ltda, 2007.,

2 3 6 8 CORMACK, David H. Fundamentos de histologia. 2 ed. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2003.

[1] DE ROBERTIS, E. D. P.; DE ROBERTIS JR., E. M. F. Bases da biologia celular e molecular. 2.ed. Rio de Janeiro: Moderna, 1986. 301 p

Autora da imagem: Sinthia Stefanny Souza da Silva.

 

JUNÇÕES CELULARES: JUNÇÕES COMUNICANTES – Davyd Junior – Turma FA1

 

Morfologia:

As junções comunicantes ou também conhecidas como junção tipo fenda e vista pela eletromicrografia onde duas células são vista por uma fenda estreita de duas células adjacentes uniforme de 2 a 4nme repleta de varias proteínas formandos canais conhecidos como conexinas. os canais formando permitem que íons inorgânicos e pequenas moléculas solúveis em água passem diretamente no citoplasma de uma célula para o citoplasma de outra célula,ligando as células tanto eletricamente como  metabolicamente.²

Muitos experimentos fornecem evidências de que as junções do tipo fenda mediam  a união química e a união elétrica ¹

Fisiologia:

As junções comunicantes esta presente em praticamente todas as células de animansi superiores ,exceto em células sanguíneas circulares,em espermatozoides e em músculos esquelético.suas funções são :

Em células excitáveis eletricamente,a junção comunicante sincroniza as contrações das células dos músculos cardíaco e músculo lisos,responsáveis pelos movimentos peristálticos do intestino.

Em células em que o tecido não contêm excitáveis elétricas por exemplo, o fígado,a liberação de noradrenalina dos terminais nervosos simpáticos,em resposta a queda dos níveis de glicose sanguíneas,estimula o aumento de degradação do glicogênio e da liberação de glicose no sangue pelos hepatócitos.

Nas ligações celulares a junção de fenda e importante na embriogenese,essas células normalmente se desconectam dos tecidos vizinhos.quando a placa neuronal começa a dobrar e a emitir protuberâncias para formar o tubo neural,suas células desconectam das camadas ectodérmicas subjacentes.Enquanto isso,as células de cada grupo permanecem conectadas umas as outras e tendem a se comportar como um união cooperativa,todas seguindo uma vida de desenvolvimento similar de forma coordenada.¹    

Aplicações:

Mutações múltiplas do gene codificado de Cx32 têm sido associadas à doença humana de Charcot-Marie-Tooth,ligado ao cromossomo X. Essa doença,uma neuropatia congênita,foi a primeira disfunção descrita como sendo diretamente resultante de um tipo de comprometimento  das junções comunicantes em uma célula.trata-se de uma neuropatia resultante de desmielinizção e degeneração progressiva dos nervos periféricos associada a defeitos das células de Schwann.ela e caracterizada por fraqueza e atrofia muscular,deformidades nos pés e,em alguns casos,por comprometimento da função sensorial encontradas na doença de Charcot-Marie-Tooth,resultam em comprometimento da estrutura das células de Schwann e,consequentemente,desmielinizaçã das fibras nervosas.²

Referências:

¹BIOLOGIA  MOLECULAR-CELULA. I.johnson,Alexandre.II.lewis,Julian.III.raff,Martin.IV.roberts,keithn.V.walter,Peter.IV. titulo

CDU 577.2.576.3

²copyright editora manole ltda,2007

A célula 2° edição /Hernandes f. carvalho, shirlei maaria recco-pimentl.-baruerir,SP:manole,2007.

Autora da imagem: Sinthia Stefanny Souza da Silva.

 

 

JUNÇÕES CELULARES: JUNÇÕES CÉLULA-MATRIZ – Carolina Amazonas – Turma FA1

Junções celulares são estruturas que unem as células em locais específicos, e são extremamente fortes e ordenadas.  As junções celulares podem ser observadas com mais facilidade através da microscopia eletrônica.

As junções células-matriz mostram uma estrutura muito semelhante às junções célula-célula. Podemos diferenciá-las com facilidade através da bioquímica.

Nas junções célula-matriz a matriz celular, e não as células adjacentes, sofrem o estresse mecânico. Esse tipo de junção ocorre em tecidos com abundância de matriz extracelular, e tem como importante função manter as células unidas e sustentá-las no tecido.

As junções do tipo célula-matriz são divididas em duas: as junções de adesão focal e os hemidesmossomos. Ambas unem as células à matriz extracelular com a ajuda de proteínas de adesão da família das integrinas.1

Integrinas são as principais estruturas responsáveis pelas adesões célula-matriz; são constituídas por uma grande cadeia de receptores semelhantes em estrutura e origem evolutiva, os homólogos. Porém tem como função não apenas unir as células a algo ao seu redor, é através delas que as características da matriz são passadas às células que se ligam a ela.1 Normalmente essas proteínas de adesão celular se unem aos seus ligantes com pouca afinidade, e apresentam-se em altas concentrações na superfície celular; isso acarreta numa diferenciação entre os receptores hormonais de superfície celular e os receptores de outras moléculas extracelulares.1
Para que as células se fixem na matriz é necessário que haja a interação entre a matriz extracelular e o cito esqueleto, essa interação é mediada pelas integrinas.  Ocorrendo da forma em que quando ligamos uma integrina ao seu ligante na matriz, uma cauda citoplasmática passa a se unir a proteínas de ancoramento intracelular. Essas proteínas podem se ligar diretamente aos feixes de filamento de actina que estão conectados a integrinas ou a outra proteína de ancoramento que une as integrinas a filamentos de actina do córtex celular, a vinculina. Normalmente são esses tipos de ligações que promovem a aglomeração de integrinas e a formação de adesões focais.  As integrinas devem interagir  com o citoesqueleto para ligar fortemente as células pois essa interação ajuda a manter a integrina com uma configuração que permite a uniões dela com seu ligante mais forte.1

Referência Bibliográfica

1 CARVALHO, H. F. & RECCO-PIMENTEL, S.M.  A célula. 2ª Ed. Barueri, SP.,Manole, 2007.

 

 

JUNÇÃO DE ADESÃO FOCAL

 

Morfologia

Foram descritas pela primeira vez em um estudo de microscopia eletrônica de células em cultura.1 Assim eram, muitas vezes, consideradas artefatos de cultura de tecido já que eram facilmente encontradas em culturas de célula.
Com a aproximação da membrana plasmática ao substrato, ancoragem de feixes de microfilamentos  do citoesqueleto e a formação de fibras de estresse temos a formação das adesões focais.  A área de adesão focal é uma região da membrana de difícil acesso por possuir apenas cerca 2-10µm de comprimento e 0,25- 0,5 µm de largura.2
É um grande e dinâmico complexo de proteínas que conectam o citoesqueleto da célula com sua matriz extracelular que está em fluxo constante3, já que as proteínas se associam de desassociam  continuamente enquanto os sinais são transmitidos para as outras partes da célula.4

Fisiologia

Trata-se de uma junção que ao invés de interagir com outra célula, interage com a matriz celular e isso acorre por meio das integrinas que quando presentes nas adesões focais agem como receptoras de proteínas da matriz.5 Cada integrina possui uma subunidade α (alfa) e uma subunidade β (beta), que nos vertebrados se dividem e cerca de 18 tipos da α, e 8 tipos da β. Quando essas subunidades se associam podem formar mais de 24 tipos diferentes de heterodímeros de intgrinas.6, 7 A interação de integrinas com componentes da matriz necessita da presença de cátions de cálcio ou magnésio, que estão presentes nas subunidades α.
As integrinas se ligam a um complexo de proteínas, entre elas a talina, no lado citoplasmático da adesão focal.5, 7 A talina é um homodímero que possuía a finalidade de conectar a adesão focal a microfilamentos do citoesqueleto.
O resultado final dessas interações entre as moléculas é a ligação dos microfilamentos do citoesqueleto  ao complexo integrina/talina.2

Aplicação

A ruptura das junções de adesão focal pode conter o progresso do câncer de mama. Embora a adesão focal seja considerada importante sinalizador em sistemas de cultura de células, ela também é importante na transcrição de hiperplasias pré-malignas e suas metástases subsequentes. Ao romper a junção de adesão focal através do sistema de recombinação Cre/IoxP foi observada a não progressão do tumor. Essa observação nos mostra que a adesão focal desempenha um papel crítico na evolução do câncer de mama.8

Referência Bibliográfica

1 Burridge K, FathK, Kelly T, Nuckolls G, Turner C. Focal adhesion: transmembrane juctions between the extracellular matrix anda the cytoskeleton. 

2 CARVALHO, Hernandes F.; RECCO-PIMENTEL, Shirlei M. Mitocôndria, In, A Célula. 2ª edição. 2007.

3 CS de Chen, Alonso JL, Ostuni E, Whitesides GM e Ingber DE, 2003. A forma da pilha fornece o controle global do conjunto focal da adesão. Comunicações Biochemical e Biophysical da pesquisa.

4 Zaidel-Barra R, Cohen M, Addadi L e Geiger B, 2004. Conjunto hierárquico de complexos da adesão da matriz da pilha. Transações Biochemical da sociedade.

5 Van der Flier A, Sonnenberg A. Function and interactions of integrins.

6  Aplin AE, Howe A, Alahari SK, Juliano RL. Signal transduction and signal modulation by cell adhesions receptors: the role of integrins, cadherins, immunoglolincell adhesions molecule, and selectins.

7  Schwartz MA. Transmembrane signaling by integrins .

8  Richard O. Hynes, Massachusetts Institute of Technology, Cambridge, MA, October 24, 2007 (received for review June 2, 2007)

Autora da imagem: Carolina Silveira de Andrade Amazonas

 

HEMIDESMOSSOMOS

Morfologia

Possui a estrutura de meio desmossomo.1  Aparece como uma placa que conecta  a matriz extracelular com os filamentos  da parte média do citoesqueleto, mediando a união das células com sua membrana basal. 1, 2 Conferem resistência aos tecidos que sofrem com as forças de estresse mecânico, ao formar uma um rede de filamentos intermediários dentro da célula.3
Ocorre com frequência em células epiteliais, porém de modo mais moderado que os desmossosmos.3  Também podem ser encontrados nas células do epitélio de transição da bexiga,  na córnea, em certos epitélio glandulares e principalmente nas células basais da epiderme onde os hemidesmossomos apresentem-se em abundancia.1, 2

Fisiologia

Conferem resistência aos tecidos expostos à tensão e ao atrito, promovendo a fixação da célula à matriz extracelular.3
Apesar da semelhança estrutural apresentam uma composição bioquímica  muito diferente dos desmossomos. Como são junções célula-matriz os hemidesmossomos se aderem a matriz extracelular através das integrinas. 3
Essa junção possui apenas um subtipo integrina, a α6β4 que é a única associada aos filamentos intermediários do citoesqueleto.2, 3, 4 Acredita-se que isso pode ser explicado pelo fato da subunidade β4 se distinguir das demais subunidades β por possuir um domínio citoplasmático longo.3, 5 A principal função do domínio celular da β4 é associar-se a α6, porém ambos os domínios são fundamentais para a formação dos hemidesmossomos.3
Em certos epitélios várias outras proteínas além da integrina α6β4são encontradas na placa dos hemidesmossomos.1, 2, 4, 6

Aplicação

Pefigóide bolhoso é uma doença dermatológica vesificantes que está associada ao comprometeminto estrutural e funcional dos hemidesmossomos.3 A presença de bolhas tensas, grandes e superdérmicas são características dessa patologia que pode se desenvolver em qualquer parte do corpo, porém tem aparece principalmente nas axilas e nas superfícies flexoras dos antebraços.3
As proteínas BP180 e BP230 são comumente encontradas em pacientes com pefingóide bolhoso.3 A BP180 fica inserida na membrana plasmática e interage através da região de domínio extracelular com a subunidade α6 da integrina.7 A BP230 é um possível junção entre os filamentos intermediários e a integrina, localizada na placa dos hemidesmossomos apresentando domínio central em forma de bastão; acredita-se que essa proteína se liga a subunidade β4 da integrina através da sua região citoplasmática.
É uma doença onde  a produção de auto-anticorpos que introduzem a ruptura dos hemidesmossomos interferindo na interação entre proteínas e subunidades de integrinas e comprometendo a adesão dos hemidesmossomos, o que faz com que as células basais da epiderme não se unam corretamente à lâmina basal.3

Referência Bibliográfica

1  Green KJ, Jones JCR. Desmossomes and hemidesmossomes: structure and funtion of molecular componets.

2 Jones JCR, Asmuth J, Baker SE, Langhofer M, Roth SI, Hopkinson SB. Hemidesmossomes: extracellular matrix/intermediate filament connectors.

3 CARVALHO, Hernandes F.; RECCO-PIMENTEL, Shirlei M. Mitocôndria, In, A Célula. 2ª edição. 2007.

4  Borradori L, Sonnenberg A. Hemidesmossomes: roles in adhesion, signaling and human diseases.

5 Hogervorst F, Kuikman I, von dem Borne AEGK, Sonnenberg A. Cloning and sequence analysis of beta-4 cDNA: an integrin subunit that contains a unique 118 kDa cytoplasmic domain.

6 Schwartz MA. Transmembrane signaling by integrins.

7 Hopkinson SB, Baker SE, Jones JCR. Molecular genetic studies of a human epidermal autoantigen (the 180-kD bullous pemphigoid antigen/BP180): indetificarion of functionally important sequences within the BP180 molecule and evidence for an interaction between BP180 and alfa-6 integrin.

Autora da imagem: Sinthia Stefanny Souza da Silva.